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Recarga de veículos elétricos

NBR 17019: o que a norma exige na instalação de carregador

O que a ABNT NBR 17019:2022 exige na instalação de carregador de veículo elétrico: circuito dedicado, fator de demanda 1, DR de 30 mA e sinalização.

Por Engenharia SST · · 7 min de leitura

Pontos principais

  • A ABNT NBR 17019:2022 trata das instalações elétricas fixas de baixa tensão que alimentam veículos elétricos, e complementa a NBR 5410 — ela não substitui a norma geral de instalações.
  • O fator de demanda do circuito que alimenta um ponto de conexão é igual a 1. Na prática: o circuito tem que suportar a corrente máxima de recarga de forma contínua, sem o abatimento usado em circuitos de tomadas.
  • Cada ponto de recarga precisa de proteção individual por dispositivo DR de alta sensibilidade, de 30 mA. Proteção compartilhada entre pontos não atende.
  • A potência considerada para cada ponto de conexão é a potência nominal do equipamento instalado, considerando o fornecimento da corrente máxima de recarga.
  • Estação de recarga de uso público precisa ser projetada com acesso fácil ao ponto e sinalização adequada.
  • A norma não cobre a avaliação de risco de explosão por hidrogênio ou outros gases inflamáveis gerados durante a carga da bateria — isso é tratado à parte, e importa em garagem fechada.

O que a norma cobre e o que ela não cobre

A NBR 17019 trata da instalação fixa: o circuito que sai do quadro, a proteção, o aterramento e o ponto de conexão. Ela é aplicada junto com a NBR 5410, que continua valendo para tudo o mais na instalação de baixa tensão.

O equipamento em si — o carregador, o cabo e o conector — segue outras normas, da série ABNT NBR IEC 61851 (sistema de recarga condutiva) e ABNT NBR IEC 62196 (plugues, tomadas e acopladores). Quem compra carregador deve confirmar essa conformidade com o fabricante; quem instala responde pelo que está da parede para dentro.

A norma também deixa explícito um limite: ela não abrange a avaliação de risco de explosão por produção de hidrogênio ou outros gases inflamáveis durante a carga. Em garagem subterrânea fechada, essa avaliação e a ventilação entram na análise do projeto, fora do escopo dessa norma específica.

Fator de demanda igual a 1: o ponto que mais pega instalador desprevenido

Em um circuito de tomadas comum, o projetista trabalha com a ideia de que nem tudo liga ao mesmo tempo. Esse desconto é o fator de demanda.

Na recarga de veículo elétrico esse desconto não existe para o circuito que alimenta um ponto de conexão: o fator de demanda é 1. Um carro que entra na garagem às 20h e sai às 7h passa a noite puxando a corrente máxima que o carregador entrega. O cabo, o disjuntor e o quadro precisam estar dimensionados para isso de forma contínua.

É daí que vem o erro mais comum em obra: aproveitar um circuito existente "que dá conta", dimensionado com a lógica de tomada. Ele aquece, o disjuntor desarma sem motivo aparente e, no pior caso, o cabo se degrada antes de qualquer proteção atuar.

Proteção: DR de 30 mA por ponto

Cada ponto de recarga precisa de dispositivo diferencial residual de alta sensibilidade, 30 mA, individual. Dois pontos não podem dividir o mesmo DR.

A razão é prática além de normativa: com proteção compartilhada, a fuga em um carregador derruba o outro, e a busca pelo defeito vira tentativa e erro. Com proteção individual, o ponto com problema cai sozinho e o defeito fica localizado.

Junto com o DR entra o aterramento. Recarga é o tipo de carga em que o aterramento deixa de ser detalhe: é ele que garante o funcionamento correto da proteção e a segurança de quem manuseia o conector.

Modos de recarga: onde o wallbox se encaixa

ModoComo funcionaOnde se usa
Modo 1Ligação direta em tomada comum, sem proteção dedicada no caboNão é solução adequada para carro; restrito e desaconselhado
Modo 2Cabo com caixa de proteção e controle embutida, ligado em tomadaEmergência e uso ocasional, com potência baixa
Modo 3Estação de recarga fixa em corrente alternada, com comunicação e proteção própriasÉ o wallbox: padrão para residência, condomínio e empresa
Modo 4Recarga em corrente contínua, com conversão fora do veículoRecarga rápida em via pública, posto e frota

Quando se fala em instalar carregador em casa ou em condomínio, fala-se de modo 3. É o modo que a instalação fixa precisa suportar e o que a NBR 17019 tem em vista.

Uso público: acesso e sinalização

Estação destinada ao público — shopping, estacionamento, posto, área comum aberta a visitantes — tem exigência adicional: o projeto precisa prever acesso fácil ao ponto de recarga e sinalização adequada.

Isso vai além da placa. Envolve posicionamento do ponto em relação à vaga, espaço de manobra, proteção física contra impacto de veículo e identificação visível de que aquela vaga é de recarga.

Checklist antes de energizar o ponto

  • Circuito dedicado, saindo do quadro, sem carga compartilhada.
  • Condutor dimensionado para a corrente máxima de recarga, com fator de demanda 1.
  • Disjuntor compatível com o condutor e com a corrente do equipamento.
  • DR de 30 mA individual para o ponto.
  • Aterramento verificado e medido, não presumido.
  • Espaço e capacidade confirmados no quadro de origem.
  • Carga nova compatível com a entrada de energia da unidade ou do prédio.
  • Equipamento com conformidade declarada pelo fabricante às normas de produto aplicáveis.
  • Em garagem fechada, ventilação avaliada no projeto.
  • Documentação: projeto, ART quando aplicável e registro do que foi executado.

O que fazer esta semana

  1. Se o carregador já está instalado, confirme se o circuito é exclusivo dele — basta desligar o disjuntor correspondente e ver se algo mais apaga.
  2. Confirme se existe DR dedicado ao ponto, e não apenas o DR geral do quadro.
  3. Peça ao instalador o registro do que foi executado: bitola do cabo, proteção usada e medição do aterramento.
  4. Se algum desses itens não existir, trate como adequação pendente e não como detalhe de acabamento.

Perguntas frequentes

A NBR 17019 substitui a NBR 5410?

Não. Ela complementa. A NBR 5410 continua sendo a norma geral de instalações elétricas de baixa tensão; a NBR 17019 acrescenta os requisitos específicos para o ponto que alimenta veículo elétrico.

Posso instalar o carregador em um circuito de tomadas que já existe?

Não atende a norma. O circuito precisa ser dedicado e dimensionado para a corrente máxima de recarga sem fator de demanda. Circuito de tomadas foi projetado com premissa diferente e tende a aquecer sob carga contínua.

Um DR de 30 mA pode proteger dois carregadores?

Não. A exigência é de proteção individual por ponto de recarga. Além de ser o que a norma pede, é o que evita que a fuga em um ponto desligue o outro.

Instalação de carregador exige projeto e ART?

Depende da complexidade. Ponto único em residência nem sempre exige. Instalação em condomínio, com uso de área comum, alteração de quadro, múltiplos pontos ou aumento de carga, é situação em que o projeto com responsabilidade técnica registrada protege o contratante e é geralmente exigido.

Como sei se o carregador que comprei atende às normas?

A conformidade do equipamento é declarada pelo fabricante e se refere às normas de produto, das séries NBR IEC 61851 e NBR IEC 62196. Peça essa informação por escrito antes da compra; a instalação correta não corrige equipamento inadequado.

Meu disjuntor desarma quando o carro carrega. É defeito do carregador?

Nem sempre. Desarme recorrente sob carga contínua costuma indicar circuito subdimensionado, proteção incompatível ou compartilhamento de circuito — exatamente os pontos que a norma trata. Antes de trocar o equipamento, vale conferir o dimensionamento.

Fontes consultadas

Versão em markdown desta página, para leitura por agentes e modelos de linguagem: nbr-17019-o-que-a-norma-exige.md

Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial e revisão de engenheiro eletricista responsável. Como produzimos o conteúdo.

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